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terça-feira, 13 de julho de 2010

It's been a long time since I rock-and-rolled

>>>Já que hoje é o dia do rock, to re-postando um texto que escrevi um tempo atrás sobre minhas primeiras influências musicais...<<<

Fiz uma regressão musical aos sons da minha infância e acho que ficou bem clara a minha primeira influência: um LP da Jovem Guarda que meu pai tinha em casa, que continha na capa um carrão vermelho conversível e cujo repertório incluía diversas versões de canções estrangeiras, como a de “Hang on Sloopy” gravada pelos Beatles, que na voz de Leno & Lillian se transformou em “Pobre Menina”. Havia também algumas coisas do “rockzinho” italiano dos anos 60, como “C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones”, mas de todas as faixas do disco a que eu mais curtia era “Pensando Nela” do Goldens Boys, que somente muitos anos depois eu fui descobrir que era uma versão de “Bus Stop” da banda inglesa The Hollies.



Essas musiquinhas embalaram boa parte da minha infância e daí pra conhecer Beatles foi um tapa. E depois de Beatles vieram Elvis, Janis Joplin, Rolling Stones e o gosto pelo rock foi aumentando. Na minha adolescência comecei a ouvir Ramones por causa de “Poison Heart” e “Pet Semetary” e fui desenvolvendo um gosto especial pelo punk rock, incluindo The Clash e Sex Pistols e depois Green Day e The Offspring.

Foi também na minha adolescência, lá pelo início dos anos 90, que comecei a ouvir Guns ‘n Roses e Nirvana e que conheci o consagrado black album do Metallica, através de uma fita K7 que meu irmão gravou e que deve existir até hoje, guardada em algum lugar na casa da minha mãe.

Quando entrei pra faculdade comecei a ouvir muito as duas bandas que, pelo menos pra mim, são as melhores de todos os tempos: Pink Floyd e Led Zeppelin. E nas baladas do DCE em Santa Maria rolavam coisas como “Can't stop lovin you” do Van Hallen e “Light my fire” do The Doors, que também me fazem lembrar dessa época.

E atualmente, além de permanecer ouvindo os clássicos, tenho escutado algumas coisas novas, como o indie rock do Franz Ferdinand e do The Strokes e também The White Stripes.

Do rock nacional, pra mim ninguém supera Legião Urbana, mas também curti muito ouvir Raimundos numa época, e curto coisas do rock gaúcho, como Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós, Cidadão Quem, Tequila Baby e TNT.


Alguns dos álbuns que eu nunca deixo de ouvir:







>>>Apesar de já ser noite, ainda da tempo de terminar esse post desejando um feliz dia do rock pra todos aqueles que, como eu, curtem o bom e velho rock and roll!!!<<<

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

LA NEGRA



No último domingo, aos 74 anos, faleceu em Buenos Aires a cantora argentina Mercedes Sosa. Dona de uma voz forte e marcante, La Negra jamais se contentou em apenas interpretar canções. Fez de sua voz a voz dos oprimidos, dos explorados, a voz dos sem voz. Em suas canções, entonou desejos de liberdade e de igualdade tão almejados pelo sofrido povo latino-americano. Ativista em movimentos de esquerda na Argentina, carregava em seu semblante a mistura de traços europeus e indígenas, que faziam dela um exemplo da mestiça população sul-americana. E como tal, jamais se furtou a tarefa de falar por sua gente.

Aprendi a admirá-la quando ainda era criança e a via cantando na televisão, muitas vezes ao lado de músicos gaúchos em programas ou festivais de música nativista. Havia alguma coisa naquela senhora gorda, dona de um vozeirão único que me encantava. Desde então me tornei um admirador da sua obra.

Há pouco mais de um ano consegui realizar um dos meus dois desejos em relação a ela: assistir a um show seu. O segundo desejo, tirar uma foto ao seu lado, não pude concretizar. Durante a apresentação, Mercedes Sosa precisou cantar sentada em uma cadeira, pois já não tinha forças para segurar um show em pé, por cerca de duas horas. Confesso que me emocionei ao ver aquela mulher que sempre me pareceu tão forte, entregar-se à fragilidade de cantar sentada devido a problemas de saúde. Mas a despeito da fraqueza do corpo agravada pela doença (ela sofria de Mal de Chagas), sua voz parecia mais forte do que nunca e preencheu cada espaço do grande teatro onde se apresentou. Quase no final do show, chamou ao palco representantes de vários os países da América Latina que entraram carregando suas bandeiras. Cercada por eles, interpretou Solo le pido a Diós, de Leon Gieco. Depois disso, ficou em pé, numa admirável tentativa de agradar a todos que estavam ali lhe prestigiando, e começou a interpretar Maria Maria (de Milton Nascimento e Fernando Brant), mas seu estado de saúde não permitiu que ela chegasse ao final da música. Despediu-se e retirou-se do palco com a ajuda de um assistente.







Fui ao show para ouvi-la cantar e saí de lá admirado com esse gesto de força: mesmo por pouco mais de um minuto ela ficou em pé, mostrando a todos que é imprescindível lutar, não importa qual inimigo se esteja enfrentando.

Los únicos vencidos son los que no luchan.